Wednesday, August 12, 2009

febre

te quero no sábado

te amo no domingo

te odeio na segunda

e só porque eu me entrego

não quer dizer que sou toda sua

enquanto a semana insistia em começar

eu tive febre

como conseqüência de meus pecados

por alguns minutos

tive um sonho-pesadelo

você falava e eu não conseguia te escutar

apenas sentia você me possuindo

e eu gozava voluptuosamente

sem ligar para suas bobagenzinhas de amor

e escutava sua voz lá no fundo

era uma sensação muito boa

mas eu por estar acostumada a te ouvir

tentava entender tudo aquilo que você falava

mas estava putinha demais pra desistir do meu prazer

e era muito real

até que me lembrei que era sonho

acordei ensopada

da febre que tive

e no fundo do coração o meu tesão recolhido

Tuesday, May 19, 2009

IMPLOSÕES


A cada gesto de frieza uma implosão interior. Na pele branca o sangue fervente transparecendo. O cigarro aceso aquecendo as pontas dos dedos de uma mão fria. Flertando com o fogo no inverno. Bebidas quentes. Entorpecentes. A nudez coberta. O suor frio. Uma vida à meia luz, em preto e branco como as teclas do piano. E a melodia que do silêncio emana são lágrimas secas num semblante sério. Os olhos perdidos do mundo que se vê procuram caminhos inexistentes. Criar. Na solidão aparente visitas não humanas, reminiscências do que nunca existiu. Sem vozes, o mar negro e morno numa noite derramado de dentro de um ser pálido. O mar dissolve as certezas. Nenhuma tristeza grita. A dor se emperra. Traços sobrepostos confundem os signos. Tudo que se deixa para trás. A boca na taça. O líquido. Algum movimento interno invisível. As chamas do fogo vermelhizam. E o corpo dança como as ondas e as chamas em movimentos livres. As saias desenham o movimento dos quadris. Há algo de primitivo que move o corpo. Mas sem nenhuma direção.

Tuesday, October 07, 2008

O pensamento voa longe pra perto de alguém. Cansada me arrasto pelas manhãs, tardes e noites de trabalho. Uso-me todos os dias, mas quero meu recato. Somente assim poderia viajar dentro de mim para recobrar as forças e ressurgir causando espanto e admiração aos que me fitam sem nunca terem percebido tudo o que sou.

Monday, October 06, 2008

Secura

Seco as lágrimas e me encaro no espelho. Mas me vejo apenas doce e superficialmente. Uma carinha de boneca. Uma carinha inchada de boneca. Tento organizar a casa, as finanças, as roupas, os livros. Mas pra me compreender preciso explodir em cacos de espelho que não mostrem essa face doce. É preciso mil cacos pra me enxergar.
Lembranças sempre me moveram. Tristezas sempre me comoveram. Mas o cotidiano, mudam-se os anos, e fica sempre igual.
Assim é se revisitar. Quando os espelhos não mais refletem o que você pensa ser. Quando você parece ser algo que não sabe bem o que é. Quando não mais se é. A única coisa que resta é revisitar-se. Talvez de bem perto, talvez de bem dentro. Essa maneira de lidar com a dor é uma resiliência do que acontece sem que eu queira. E quem sou eu pra querer que algo me aconteça? Preciso conversar mais com os deuses...
Quando me construo e me teço nesses textos me imaterializo desse respirar, dormir, acordar e me intuo entrando em contato com o inexplicável, com aquela sensação que sempre me acompanhou. A sensação de estar num palco pouco iluminado encenando a minha vida para que ela seja condizente com o que sei de mim.
E o que sei de mim? Nem sempre eu me reencontro. Esse choro latente que me dá esperança de alguém me ouve, me sente, me toca e é por mim tocado. À revelia da lógica dos homens. Esqueci de me representar. Esqueci de mostrar quem sou. Talvez eu estivesse descansando. Mas agora, talvez esteja me libertando até mesmo do que sempre fui pra ser o que pretendo ser.

Friday, April 04, 2008

Friday, November 23, 2007

expurgados do paraíso

A quem hei de entregar minhas tristezas?
Num confessionário isento de olhares
posso lamuriar-me num muro de lamentações.

A quem hei de entregar minha doce dor
salgada a lágrimas que escorrem fugidias
enquanto meu rosto se contorce em sofrimento?

A quem hei de entregar pelo meu corpo
as mais reais fantasias
que transformam desejo em prazer?

- É fogo e fuga
mas não me aquieto! -

teu corpo relutante, teu cheiro de carne crua
não vale o sangue, as implosões de dentro do meu ventre

quando insistes em ficar em pé
te miro aqui de baixo onde me enterro

as tuas alturas me tonteiam
voas tão alto que as minhas vertigens se esvaem

a tua violência calculada
empurras me teu corpo como quem se traga

com essa fumaça cinza e tóxica
tentas violar meu corpo
com ele e por ele te entrego a mim

com tuas mentiras verdades forjadas
jamais vais alcançar a perfeição

preso àquilo que te liberta
e à maldade fria como a tua lâmina assassina

e fingindo, se esconedendo e fugindo
veste-te e calça-te e vai-te embora daqui

é tempo de tempestades
mas do teu alto céu ignoras a chuva
caminhas pisando as nuvens
com teu solado de borracha

aguardarei a tua queda em silêncio

mumifico meu corpo, meus desejos
imobilizo meu ser, para deixar-te
eu me faria sombra para que fosses a figura
mas não conseguiste tocar o que há de pior em mim.

Wednesday, September 19, 2007

EX-PURGANDO NO PURGATÓRIO

Talvez não mais desejo seu corpo
Mas sua voz ainda ecoa na minha lembrança
E sinto em meu ventre as vibrações do toque
grave, suave, compassado e aerado
que o seu jeito de falar ainda me provoca.

A sua boca era a mais saborosa que qualquer fruta
pois de cada mordida, sucção ou lambida
era só o gosto dos seus lábios e saliva
que me trazia o gosto inefável
fruta que jamais acaba
não amadurece nem perece
fresca e envelhecida
boca eterna
trazendo sempre o gosto primeiro do primeiro beijo.
Sua saliva grossa como seu sêmen.

Nunca jamais doce brincadeira de enjoar
seu amargor sereno
água salina de lágrimas e sangue.
Doce, amarga
pobre, nobre criatura
príncipe plebeu,
animal sagrado,
criança enfurecida,
ferida aberta.

Seu coração é meu.
Eu lhe lambi todas as feridas abertas.
Eu lhe cantei e lhe fiz cantar todas as orações profanas.
Dignei-me e indignei-me a lhe proferir as palavras de luz
que os mortais apenas se habituam com a sombra da clara ofuscante idéia
idéia vaga para eles em nós se fez real.

Porque pudemos contemplar o infinito
debaixo de mentiras ensaiadas
Porque da nossa fantasia
ninguém ousou duvidar
Porque das vestes me despi
e ainda assim havia a mesma aura.
Porque te usei e lhe fiz meu brinquedo
- encaixe perfeito do mundo novo que nascia em mim -
Porque nossos olhos fugiam do encontro
Porque fomos distraídos mesmo resistindo
Porque eu nunca consegui deixar marcas na sua carne
Porque atendi aos apelos do seu corpo
Porque acolhi um novo homem que nascia sõ pra mim
redescobrindo o novo caminho
do atalho errado que o fez se perder.
Porque das coisas mais escuras, das coisas mais inesperadas,
dos momentos mais inexpressivos
uma horrenda luzde bondade, esperança, encanto, suavidade
nos invadiu sorrateiramente.

Quando apartados a desconfiança, o medo
as inseguranças, os traumas,
os rancores, as vergonhas, a descrença
fazia pisarmos o freio
esquecer os gritos do peito dilacerado implorando por amor.
Talvez um amor de irmãos
pois era no brilho dos sorrisos,
na luz amena dos olhos,
nos abraços apertados de chegada, de saudade,
reencontro, despedidas
nas mãos que não queriam agarrar nada,
nem possuir, nem macular a carne com garras afiadas.
mãos que só sabiam fazer-se e desmanchar-se em carinho
que indicavam caminhos confusos, incertos
porém o gesto era tão certo
que só poderia ser pecado não seguir a sua orientação.

Os desejos se confudiram
fomos muito mais do que deveríamos
por isso esse castigo incontido incontinente inconsciente.
Do abrigo a proteção mútua e muda
apenas fogo, fumaça e cinzas.
E o pássaro que me tornei voou chorando lágrimas doces, ternas
que secaram com a brisa etérea e envolta em ares outros
de mãos de vento me trouxe até o vácuo: o esquecimento.

Monday, August 06, 2007

***

* é uma imagem que não se formou na minha retina...

É uma imagem que minha alma se atreveu a ler através de interações homeostáticas entre os nossos corpos, nossos desejos que se misturaram.

Entre os nossos cheiros e receios que se esbarraram numa noite qualquer de desesperança cética, neutra e familiarmente habitual em que amarras nenhumas nos impedem de velejar ou naufragar quando preciso (necessário) e esse inventário que nossos mortos nos deixaram é pura poesia...

Nosso lado obscuro (escuro ou apenas escondido?)
*é uma imagem porque é apenas captando a luz, sugando-a num buraco escuro (um buraco negro? que arrasta e atrai...)

E inventamos nosso amor numa embriaguez sóbria e sombria em que nossos olhos brilham e irradiam tudo ao redor.

As mais doces mentiras derreteram em nossas doces bocas como algodão de nuvens...

Levitação como brincadeira inocente no elevador

(elevando a dor a uma transcendência inevitável)

o doce de um beijo

saliva que deteriora as nuvens

e faz do desejo de satisfação infantil apenas um sabor de línguas.

Wednesday, July 18, 2007

que contas?

conta até 3
faz as contas
o resultado:
o que eu preciso é contato
com tato

No pé que as coisas estão

No pé que as coisas estão
eu não lhe devo explicação

Mas por que será que eu te espreito acuada?
Deixei marcas no meu corpo
Escrevi a inicial do seu nome na parte interna da coxa
quem quer que abra minhas pernas vai ver
que se trata da mulher de outro

E assim ninguém me cobiça
Assim ninguém entra

Porque dentro de mim
não há mais espaço

E fora de mim
não há mais tempo

Todo tempo que eu perco
Eu me dou pra você

pq ao me olhar no espelho
eu vejo os olhares que são pra vc

mil faces de um espelho
nem acendi a luz

com menos luz
também me enxergo

talvez até melhor

sem holofotes
sem escuridão

apenas um sincero breu

Monday, July 16, 2007

Primeiro amor carnal

Teu corpo é meu instrumento
Quando te toco sempre componho uma canção

És o furacão da minha alma
Algo perdido entre a loucura e a razão

Tuesday, June 05, 2007

perfeição

perfeito
ou imperfeito
tanto faz, eu me deleito

Friday, April 27, 2007

corpo de sol e de lua

está frio
nada cresce
o sol, violento
me esquece
tudo o que o sol aqueceu
queimou por não saber amar

o que você conseguiu?
nada ainda, ela responde
e o que está procurando?
sigo o caminho do sol
mas só o vejo no poente
sem sol fico doente

as águas que escorrem das pedras
lavam as minhas feridas
o fogo que acende em meu peito
por vezes também arde em mim
assim não morro de frio
porque tenho um desvario
um desejo que corrói
mas me mantém aquecida
o fogo secreto me arde
corro pro sol, mas é tarde

corpo de sol mas é tudo
há sangue escorrendo na terra
a terra que agora é vermelha
há fogo ardendo na pele

deitada na terra vermelha
vermelho do fogo da pele
a boca da moça é vermelha
e o corpo é branco brilhante
o brilho da lua no corpo
o brilho da estrela no olhar
o corpo estremece de medo
faísca da estrela do brilho
o amor bem sabe é doído
prazer bem sabe é extremo
ela vai morrer de amor
ardendo e minguando
aquilo que é delicado
com a força vai morrendo pela terra
a semente germinando o grave sulco
a carne pulsa de prazer, de sentimento
o amor renasce se deságua em próprio ventre
o amor insulta, vem rápido e violento
o amor arde, fogo santo, purifica
toda a água de amor é sagrada
todo ato de amor é suicídio
recebe em si o próprio amor nascido
e morre ao fim do tempo a descansar

Saturday, April 21, 2007

Simples

Ouvi a vida sussurrando
os passos na rua escura
ouvi a prece derramada
os pulsos nos passos na estrada
ouvi a voz muda dos pulos
impulsos passados e nulos.

O frio embeleza a minha solidão
E eu já não me sinto sozinha

O futuro parece cristalizado
como se o final feliz fosse inevitável
orquestras
aplausos

A noite veio calma
a vida veio rasa
e tudo que me arrasa
parece tão ínfimo agora

a noite veio calma
e não há nada que me tire essa paz
no horizonte as luzes não existem
as luzes estão lá mas não enxergo
só sinto a paz que proporcionam
só é a medicina alternativa
só é uma opção de vida

O tempo passando nas nuvens de algodão
O tempo vai parando nos cabelos brancos de meu avô
ele vai caminhando, lentamente vai me contando
como foi, como é...
e eu imagino como será daqui pra frente
agora não temos mais casa
estranhos moram na casa
clientes entram na casa
e no meu quarto de amores
onde eu já fui artista
nossa casa de terrores
hoje é sala de dentista

as músicas ainda são densas
mas não contam já de antes
a saudade que senti
sempre foi do que virá
a saudade que eu sinto
é a falta de mim

garota, menina, graciosa
ela anda por aqui
não queria ter que lembrar
da sua doce alegria
é difícil encarar seus olhos
daquela irritante esperança
ela nunca cessa de esperar
nunca se deixa enganar
pelos outros que desistem
pelos outros que insistem
em dizer que já não dá...
ela fica aqui dançando
com sorriso tão perdido
a garota está sozinha
criança chorando num canto
no fim do quarto minguante
na míngua da própria aflição
quem é que cuidou dela?

pra onde foram seus irmãos?
há algo que cuida dela
tem mais sorte que juízo
nunca sai no prejuízo
porque aprendeu a aproveitar
cada momento infortúnio
que também a faz chorar

a menina senta e chora
reza alto pra seu Deus
a menina esquece a Deusa
a Deusa que a embalou
engendrou-a nas artes do amor
a fez sentir abundância
fez sentir sua própria semente

a terra que a cobre
soterra seus amores
com a seiva da vida respira
pobre seiva da qual se alimenta

o verde das folhas lhe arde
entorpece-lhe o verde da erva
o verde dos olhos lacrimeja
a doce desilusão

a desilusão é bonita
depois que sente esse gosto
em vez de doce amargo fica
mais poema, conclusão

As tardes tardias
caem rápido
enegrecem algum dia produtivo
ela que não planta nada
prefere a noite
pra ficar parada
olhando as estrelas que ela não entende
mas as estrelas entendem a menina

Não estava escrito nas estrelas
as estrelas não escrevem
as estrelas são geniosas
não pedem permissão
as estrelas escolhem pessoas
um olhar, um coração
e aqueles que foram escolhidos
terão estrelas no olhar
terão estrelas nas veias
terão estrelas brilhando
em tudo o que por ventura fizerem

e ela que não faz nada
se lembra que é uma estrela
estrela não brilha sozinha
reflete a luz dos astros
e precisa do sol...

está frio
nada cresce
o sol, violento
me esquece
tudo o que o sol aqueceu
queimou por não saber amar

o que você conseguiu?
nada ainda, ela responde
e o que está procurando?
sigo o caminho do sol
mas só o vejo no poente
sem sol fico doente

as águas que escorrem das pedras
lavam as minhas feridas
o fogo que acende em meu peito
por vezes também arde em mim
assim não morro de frio
porque tenho um desvario
um desejo que corrói
mas me mantém aquecida
o fogo secreto me arde
corro pro sol, mas é tarde

corpo de sol mas é tudo
há sangue escorrendo na terra
a terra que agora é vermelha
há fogo ardendo na pele

deitada na terra vermelha
vermelho do fogo da pele
a boca da moça é vermelha
e o corpo é branco brilhante
o brilho da lua no corpo
o brilho da estrela no olhar
o corpo estremece de medo
faísca da estrela do brilho
o amor bem sabe é doído
prazer bem sabe é extremo
ela vai morrer de amor
ardendo e minguando
aquilo que é delicado
com a força vai morrendo pela terra
a semente germinando o grave sulco
a carne pulsa de prazer, de sentimento
o amor renasce se deságua em próprio ventre
o amor insulta, vem rápido e violento
o amor arde, fogo santo, purifica
toda a água de amor é sagrada
todo ato de amor é suicídio
recebe em si o próprio amor nascido
e morre ao fim do tempo a descansar

e agora há o que precisar
novas preces para o sol a aquecer
tudo é novo, tudo é pronto pra nascer
o branco vira verde vira azul
e o sol a fere um pouco no suor

“quantas mulheres prováveis
interrogam-se no espelho
medindo o tempo perdido
até que venha a manhã”
Carlos Drummond de Andrade

Monday, April 16, 2007

Inconfessável

Recuso-me a fechar as janelas,
hoje que o céu se enfureceu comigo
e fez mil tempestades num só copo d'água
gotejando até mesmo dentro, em meu abrigo

tu que me lês
eu analfabeta de mim
recuso-me a olhar no espelho
pois sempre o que reflito é o que não vejo
sou cega pra mim mesma
apenas me despejo
recuso-me a me ouvir lá de fora de mim mesma

essa janela aberta nessa noite que esfria
paradoxos indecifráveis que me abafaram no verão
eu me tranquei e pensei "perdi a chave"
mas descobri o furto do hóspede indiscreto
fingia rastejar e ser anfíbio
mas tinha o sangue quente desde o início

vinhas sempre transmutado em outros
como um camaleão, de cor em cor
mas para mim - que sou incapaz de ler o externo -
era sempre o mesmo e sempre igual que eu encontrava
brincavas de jogos de espelho, mas eu intuía o óbvio
aquele teu veneno verde não poderia ser para mim

não eras o sapinho pela boca
um príncipe indeciso e arrependido
quantos segredos transmitidos pelas tuas águas
bebi uma a uma, mas o que eu queria era o teu sangue

o sangue que eu encontrei por acaso
borbulhando numa temperatura à minha equivalente

eu - que nunca quis te seduzir -
queria apenas me encarar no espelho, seduzida
como nas primeiras vezes em que eu realmente acreditei
pois não tinha aprendido a duvidar do meu termômetro
a tua febre louca que eu curei

ao invés de nos olharmos: reflexo e reflexão
resolvemos tomar da mesma taça a anestesia
e quem diria aquilo que querias
encontrar em outros objetos uma capenga paixão
e do mesmo chão em que deitamos
derramamos as mentirosas faces de uma confissão

kid abelha

caring and sharing
i smile when i close my eyes
to look at your face

i wish you saw me last night
i was walking slowly
feeling each tap of my feet on the ground
i begged for underground
my walking described a lost rythm
from the journey i took each day
due to my willing to see you everyday

when i crossed the crossing line i was lost
stumbling in the stars in disasterous way
waiting for a meeting
confused in my dreamming


in which i was skimming slightly on your sweet skin
feeding you with my honey,
wnating to be your queen bee
the eternal honey
- only furnishment that cannot perish -

abóbora selvagem

tudo é verticalmente triste
ao som de bandolins
ou violinos assassinos

não posso ouvir violas
tudo que é simples me violenta
antes ser sublime do que simples
antes ser incógnita do que escrever um manual de instruções

um sarcasmo
orgamos de conversa
não são janelas da alma abertas

eu pisei no lodo
e chicoteei o espaço
agredindo por não me deixar agredir

de comum acordo
acordo às 7h30 da manhã

mas não há a palavra 'doce'
apenas uma palavra 'não' que séria e culpada
se ensaia pra sair

e nessa valsa triste
indo e vindo deste mundo e outros

enfrentando o mundo
eu assombro e sofro
porque não é possível a todos me compreender

e sendo sempre mais do que se pode suportar
transbordando todos os copos
da incontida prisão da minha solitude

sucumbo novamente ao vício de fingir não estar só
afagando de leve algumas almas de janelas abertas

a única porta por onde entrei
se fecha em culpas e erros

eu que sempre me perdoei
não me delicio com seu sangue em minhas garras
seu sangue é doce e chora

e nunca corres pra mim para que eu te abrigue
te fechas e cultivas a tua solidão
me obrigando a enfrentar a minha, a suave prisão

mas quando vens, tomas o tempo em tuas mãos
e me ofereces tudo
e segurando o líquido do tempo em nossas mãos
vamos derramando as horas lentamente
e com gozo
em todas as coisas que amamos
imagens, palavras, cheiros e toques
trejeitos, desajeitos, gafes e tombos

até a carruagem virar abóbora

porta emperrada

finalmente
compreendo como tu te emperras

mas foi preciso experimentar o sangue
o corte, o bisturi e o enxame
me rebelei de dentro do avesso da colméia

do pó e das cinzas
não renasço hoje

passeio pelo inferno de hades

um rapto, um surto, um susto
um medo, ou ainda,
aquela sensação de quem está sem saída

Tuesday, April 03, 2007

CÍRCULO MILITAR

códigos, símbolos
letras e números
pétalas de flores caindo
estrelas piscando no escuro
no chão a passos lentos
a brisa alimenta os pulmões
com vida

Ombros nus
mechas de cabelo encaracolando
afogam a liberdade que circula e ferve o sangue.
Calor...

O dia acaba e refresca os sentidos obrigatórios,
as placas, os sinais,
os pontos de ônibus iluminados.
Nenhuma estrada ou rua sem saída.
Os cruzamentos, as rotatórias da cidade.
Tudo é preferencial.

Os olhos buscam sedentos -
porém sem expectativas -
aquilo que a alma encontra e a palavra traduz.

Uma cidade de luz
em plena escuridão.
A lua não sou eu.
As rédeas se soltaram.
As imagens se perpetuam na minha solidão.

O foco do meu olhar
celebra tudo o que não posso tocar
e nem quero.

Tudo que toquei
me tocou.

Tudo que possuí
me possuiu.

Pedaços de mim caminham pela rua agora.
Dentro de carros a música com as mãos no volante
descrevem um caminho distante... num instante.

Os meus olhos são fotos focadas,
tiradas e colocadas pra dentro.

Sinto meus órgãos quentes interiormente.
Tudo de mim se escapa:
eu, a leveza do fim do dia,
eu cônscia de uma beleza tardia.

Tudo que eu faria, não fiz, não feriria.
As marcas do fogo não se apagam
cicatriz.
Eu fui, eu sou, eu sendo feliz.
Do que era mudo uma canção rediz...

Friday, March 30, 2007

Marteladas na cabeça

Os ônibus passam e param
e eu não espero mais.
Converso com as árvores em silêncio
um mantra de paz.

As pedras da praça contém passos
e sombras se multiplicam
formando outras formas.

Nada é formatado.
Nenhuma fôrma atada.

Os lenços em que nos amarramos,
os lençóis que nos prenderam
contém o suor e a saliva lasciva.

Eu lembro que estou viva e aviva
minha cabeceira com plásticos flácidos.
Um resto de sabor na língua
à míngua...

E antes que o prazer se extingua
o fato a foto o feito a fita
amarro as marras na marra.
Violento o violino assassino.

No silêncio sinto a melodia
sintonizando um sentimento cético.
Nenhum estado de sítio.
Nenhum súplicio ou simples morte súbita.

Quando se morre à noite
o dia nasce, a claridade assume
a assunção de mais uma mera verdade
que a eternidade muda e emudece.

As vozes, corpos velozes cessam o movimento.
Atento atentado ao pudor.
Torpor lícito de derramado no chão.
A molhidão de um molho incolor.

Incompreendo os sons e os ruídos,
as listas das istas pessoas
que se repelem,
os opostos que se chocam e se tocam
e os traços que atrocidam o indizível.

A minha voz se cala e ainda dita
a ditadura mole e maledicente.
O mal se encolhe a escolher a sina.
O que se assina assassinou o sonho,
o completar comtemplado e incompleto.

Mais uma!
Mais uma vez
de vez.